sexta-feira, 5 de abril de 2013

Resenhas - Atrocity - Atlantis (2004)



Resenhas

Esta seção apresenta análises críticas dos editores, afim de propor debates e discussões – o mais construtivas possível – sobre o álbum resenhado.


A resenha é uma abordagem que se propõe a construção de relações entre as propriedades de um objeto analisado, descrevendo-o e enumerando aspectos considerados relevantes sobre ele. No jornalismo, é utilizado como forma de prestação de serviço. Pode ser texto de origem opinativa e, portanto, reúne comentários de origem pessoal e julgamentos do resenhador sobre o valor do que é analisado.


Atrocity - Atlantis (2004)


Certas bandas não conseguem se controlar dentro  de um estilo único e esse é o caso do Atrocity. Liderados pelo ótimo vocalista Alexander Krull, os alemães lançaram alguns dos grandes álbuns da história do Death Metal mundial, como o esplêndido, Todessehnsucht, de 1996. Depois do impacto positivo causado com essa obra-prima, Krull e seus amigos passaram a inserir uma dose cavalar de experimentalismo em seu som, mergulhando num universo cheio de influências do Gothic e do Industrial Metal. Uma de suas mais conhecidas empreitadas é a série de discos com covers de clássicos pop dos ano 80, revisitados, os discos Werk 80 I e II, que não são exatamente bem aceitos pela crítica e pelos fãs, talvez pelo fato de serem indiscutivelmente fracos e pouco criativos.

Atlantis não foi anunciado como um retorno as raízes da banda, mas como uma evolução natural do som complexo e intrincado feito pelo Atrocity. Creio que o álbum seja ainda mais do que isso. Esse disco se apresenta como uma soma ao que a banda já vinha fazendo, adicionando ao seu som um aspecto étnico e folclórico que seria mais explorado adiante. Ainda assim, Atlantis é, sem dúvidas, o disco mais forte e pesado do Atrocity em anos.

O álbum abre com a magnífica e pomposa Reich of Phenomena, uma das melhores músicas já compostas por uma banda de Death Metal que conheço. Vale uma ressalva, Alexander Krull é casado com Liv Kristine, vocalista e compositora da banda Leave's Eyes, além de fazer parte da banda. Atlantis é o primeiro álbum após o início de seus trabalhos com aquela banda e isso é refletido diretamente nas composições do disco. Percebam, apesar de ser uma faixa bastante direta, cheia de blast-beats e vocais agressivos, a música apresenta toda uma riqueza sinfônica e operística que parece uma herança direta dos trabalhos com o Leave's Eyes.


Com suas letras focadas na lendária civilização que teria sido submersa pelos deus, em retaliação pela arrogância de seus habitantes, o disco segue numa pega muito pesada, além de sinfônica. Superior Race e Ichor mantém essa linha, enquanto Gods of Nations já começa a sinalizar que esse é um disco do Atrocity, ou seja, não segue um padrão e abusa das experimentações. Isso fica muito claro ao escutarmos Enigma, uma música calcada nos vocais graves e limpos do grande vocalista da banda e num refrão muito cativante. Em sequência, o disco perde um pouco em potência, mas algo merece atenção nesse momento de maior estranhamento. Cold Black Days, pela sua introdução, poderia estar num disco do Linkin Park, por exemplo, um piano acompanhado por batidas eletrônicas de fazer o fã mais true torcer o nariz profundamente. Rapidamente, a música se transforma numa pegada tradicional do Atrocity, com a inconfundível voz de Krull. Daí em diante, o disco recupera o seu fôlego e apresenta canções memoráveis, como Clash of the Titans, The Sunken Paradise e Aeon. 

Apesar do profundo experimentalismo que não é perdido em Atlantis, o Atrocity demonstra que pode oferecer ao ouvinte aquilo que ele espera, um Death Metal direto e pesado, apesar da pomposidade das orquestrações e da complexidade dos outros elementos da sua música. Além de Krull, o baterista da banda, Moritz Neuer, merece grande destaque nesse ótimo álbum. Com uma temática cativante e um som envolvente, Atlantis recoloca o Atrocity no foco das atenções do fã do Death Metal, lamentavelmente, a banda voltou a arriscar e errar, após o disco aqui resenhado, esperamos que a banda consiga voltar aos trilhos de vez, no próximo lançamento.

Nota 8/10
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