terça-feira, 12 de março de 2013

Resenhas - Sonata Arctica - Stones Grow Her Name (2012)



Resenhas

Esta seção apresenta análises críticas dos editores, afim de propor debates e discussões – o mais construtivas possível – sobre o álbum resenhado.


A resenha é uma abordagem que se propõe a construção de relações entre as propriedades de um objeto analisado, descrevendo-o e enumerando aspectos considerados relevantes sobre ele. No jornalismo, é utilizado como forma de prestação de serviço. Pode ser texto de origem opinativa e, portanto, reúne comentários de origem pessoal e julgamentos do resenhador sobre o valor do que é analisado.



Sonata Arctica - Stones Grow Her Name (2012)


Goste ou não, qualquer fã do Metal deve admitir que o Power Metal é um dos maiores responsáveis pela popularização do mesmo. Mais que isso, é visível que o Power deu um novo gás ao Metal, durante os anos 90, e recriou a cena, especialmente na Europa e no Brasil, num fenômeno poderoso que durou até o início dos anos 2000, quando o gênero começou a enfraquecer. Um dos filhos mais prósperos da segunda geração do Power Metal, o Sonata Arctica é a perfeita representação do que aconteceu com o subgênero, num total. A banda surgiu repetindo os elementos tradicionais do Power, executava um som melódico e ultrassônico, muito parecido com os também finlandeses do Stratovarius - um dos founding fathers do Power - e conseguiu alcançar grande visibilidade e lançar álbuns vigorosos. Os excelentes Winterheart's Guild e Reckoning Night colocaram o Sonata Arctica entre os grandes do estilo.

No entanto, assim como o gênero que o englobava, o Sonata Arctica saturou, e assim como a maioria das bandas de Power Metal, os finlandeses passaram a experimentar com a sua música, passeando, especialmente, por um estilo próprio de Prog Metal. Assim como o todo, a parte teve problemas, Unia e, principalmente, The Days of Grays, não são álbuns fáceis e não tem o mesmo potencial e empolgação de outrora, o Sonata Arctica traçou um caminho perigoso que contou, inclusive com a saída do ótimo guitarrista Jani Liimatainen.


Stones Grow Her Name não prometia ser um retorno às origens, e não o é. Mas é possível considerar esse álbum, enfim, uma evolução palatável na sonoridade da banda, uma mescla saudável entre o experimentalismo, o prog e até pitadas do Power que a banda ajudou a eternizar. Apesar das críticas comuns, considero Tony Kakko um dos maiores compositores e cantores dentro do Metal e é ele quem rouba a cena, mais uma vez, nesse disco. Ao seu lado, o atual guitarrista Elias Viljanen, que faz um trabalho sólido, com alguns riffs mais densos e presentes, mas é indiscutível que o Sonata é uma banda que não explora todo o potencial das suas guitarras, explorando as vezes um pouco de mais os teclados, o que não interfere no desempenho da banda, ou na qualidade deste álbum.

A escolha para o primeiro single do disco, "I Have a Right", não me pareceu muito acertada, uma vez que Stones tem músicas muito mais consistentes que poderiam cumprir tal papel. Ainda assim, não é uma música ruim, apenas uma faixa mais simples, de apelo mais comercial, que poderia passar despercebida. Motivos para isso não faltariam, começando pela semi-balada "Alone In Heaven", uma música incrível, emotiva e cheia de feeling de Tony, um excelente trabalho.


A dupla de "Wildfire's" que fecha o álbum é realmente, digna de destaque. Continuação da saga Wildfire, iniciada no Reckoning Night, essas faixas relembram o ouvinte da época mais direta da banda, apesar de manter uma complexidade com pitadas de Folk europeu e o Prog desenvolvido nos álbuns anteriores, tornando a faixa um misto de tradicional e inovador. De tradicional, podemos apontar "Losing My Insanity", esse sim um Power típico, composto por Tony para o debut do cantor finlandês Ari Koivunen, vencedor do "Ídolos" do país e reutilizada, numa versão muito melhor, diga-se de passagem. Como inovação, nada chama mais a atenção que "Cinderblox", uma faixa estruturada como um bluegrass e toda cadenciada por um banjo acelerado que mantém a melodia e as linhas vocais num ritmo empolgante. Ainda faço uma realce à linda "The Day", uma música que trata de um homem que perdeu toda a sua família levada pelo mar, numa tsunami. Creio termos aqui, uma das performances mais emocionantes de Tony em toda a sua carreira.

Stones Grow Her Name não é um retorno ao Power Metal tradicional do Sonata Arctica, mas não mergulha a banda de cabeça na poça escura e confusa do som que vinham fazendo. O disco mantém os finlandeses num estado de atenção, se apresentando como um possível elo de ligação entre um período conturbado e um firme retorno aos eixos. O primeiro passo nesse sentido foi dado com muita qualidade.

Nota 8
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