sábado, 2 de março de 2013

Resenhas - Dream Theater - Black Clouds & Silver Linings (2009)



Resenhas

Esta seção apresenta análises críticas dos editores, afim de propor debates e discussões – o mais construtivas possível – sobre o álbum resenhado.


A resenha é uma abordagem que se propõe a construção de relações entre as propriedades de um objeto analisado, descrevendo-o e enumerando aspectos considerados relevantes sobre ele. No jornalismo, é utilizado como forma de prestação de serviço. Pode ser texto de origem opinativa e, portanto, reúne comentários de origem pessoal e julgamentos do resenhador sobre o valor do que é analisado. 




Dream Theater - Black Clouds & Silver Linings (2009)


Mudanças. É disso que se trata Black Clouds & Silver Linings, disco dos gigantes do Metal Progressivo do Dream Theater. Em algum momento da sua brilhante carreira, estes estadunidenses tiveram as rédeas tomadas pelo monstruoso baterista Mike Portnoy, que passou a produzir todos os álbuns, os shows da banda, estratégias de marketing e, especialmente, as composições do grupo. Essa mudança passou a ser percebida facilmente nos álbuns da banda, que partiu de um Progressivo mais clássico para um intrincado de melodias pesadas e complexas. Parecia que que o Dream Theater era uma espécie de Metallica do Metal Progressivo. Tal evolução musical, criticada por muitos dos fãs mais saudosistas da banda, culminou em Black Clouds, um disco que mudou a forma do Dream Theater de encarar o seu próprio som. Mudanças no foco, este acabou sendo o último disco a contar com o genial baterista, que acabou sendo retirado da banda por nebulosas razões que envolvem cansaço, interesse de mercado e ambição.

Temos o mais sombrio Dream Theater de que já se teve notícia, nesse álbum, algo que pode ser observado desde a capa até às fotos promocionais do grupo. Capa esta, aliás, belíssima, trazendo de volta uma tradição da banda que havia sido abandonada, capas que remetam às canções contidas no disco. As letras das músicas seguem a lógica de temas pesados e misteriosos, sombrios, de fato, em sua maioria e tratando de mudanças e rupturas.


(Stephen van Baalen)
O álbum é aberto por uma das melhores composições da carreira da banda, em minha opinião, A Nightmare to Remember. A música trata de um acidente sofrido por John Petrucci, guitarrista da banda, quando criança. Riffs pesados, blastbeats rápidos, fazem o ouvinte perceber que o Dream Theater consegue mesclar diversos tipos de som ao seu já complexo progressivo. As aventuras de Mike Portnoy nos vocais, já experimentadas anteriormente - no fraco Systematic Chaos - voltam a aparecer nessa música, e se repetem ao longo do álbum. Atmosferas pesadas são combinadas com momentos menos densos, fazendo dessa música um grande hino para a banda. A Rite of Passage, destoando da temática geral do álbum, trata dos mistérios da maçonaria.

Uma das tradições do Dream Theater, até a balada obrigatória se destaca nesse álbum. Wither, talvez a melhor balada do grupo desde The Silent Man, do álbum Awake, de 1994. A conhecida "Saga da Cachaça" - iniciada no álbum Six Degrees of Inner Turbulence, relatando a luta do baterista contra o alcoolismo e baseada no processo de 12 passos do AA -  é, finalmente, encerrada nesse disco, e em grande estilo. The Best of Times é uma das músicas mais intimistas e tocantes do disco, tratando da morte do pai de Mike. Temos uma faixa aberta por um quarteto de cordas executando a belíssima melodia central da música, emocionante do início ao fim. 


The Count of Tuscany, com seus 19 minutos, é a música mais longa do disco, e remete o ouvinte diretamente à era mais clássica do Dream Theater. Com esse tamanhão todo, a música consegue apreender diversas características da banda, e exibir todo o talento de Mike Portnoy, John Petrucci e companhia. A sua letra é profundamente metafórica e trata do encontro com um Conde italiano, que se acredita ser praticante do canibalismo. De fato, trata-se de não julgar as pessoas pela sua aparência.

É válido destacar o excelente desempenho do vocalista James LaBrie nesse álbum. Apesar de não ser unanimidade e ser comumente ofuscado pelo  brilho de seus colegas de banda, LaBrie se utilizou desse disco para demonstar que está a altura dos parceiros e faz um trabalho coeso e emocionante. Black Clouds & Silver Linings é o limite de uma era sombria e repleta de mudanças para o Dream Theater. Para uma sólida maioria, a banda seguiu bem sem a presença de sua mente criativa. Na minha opinião, o direcionamento dado por Portnoy ao grupo era exatamente aquele em que o Dream Theater melhor se enquadrava, e sua partida extrai da banda o seu melhor. O melhor, mesmo num turbulento momento de mudanças, está exposto nesse álbum. 

Nota 10
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