sábado, 23 de março de 2013

Resenhas - Coheed and Cambria - The Afterman: Ascension (2012)



Resenhas

Esta seção apresenta análises críticas dos editores, afim de propor debates e discussões – o mais construtivas possível – sobre o álbum resenhado.


A resenha é uma abordagem que se propõe a construção de relações entre as propriedades de um objeto analisado, descrevendo-o e enumerando aspectos considerados relevantes sobre ele. No jornalismo, é utilizado como forma de prestação de serviço. Pode ser texto de origem opinativa e, portanto, reúne comentários de origem pessoal e julgamentos do resenhador sobre o valor do que é analisado.




Coheed and Cambria - The Afterman: Ascension (2012)

Sempre reclamei do fato de algumas bandas nunca receberem o destaque que merecem ou a devida atenção, tanto da mídia especializada quanto dos fãs, em geral. Mesmo sendo um insatisfeito convicto, acabei cometendo tal erro com algumas bandas, durante minha vida. Algo nesse sentido ocorreu fortemente com esses estadunidenses de Nova Iorque. Em 2010, tive meu primeiro contato com a banda, com Year of the Black Rainbow, álbum daquele ano, que não prendeu a minha atenção. Nem a participação da banda na edição 2011 do Rock in Rio me convenceu a escutar aos garotos com mais cuidado.

Todo esse cenário foi alterado de súbito em meados do ano passado (2012), quando fui conquistado pela magnífica capa de The Afterman: Ascension, primeira parte de um projeto duplo. O Coheed and Cambria é realmente uma banda fascinante, que mistura um montão de influências e de estilos diferentes, do Indie ao Avant-garde, passando, claro, pelo bom e velho Heavy Metal. Acho que são, de fato, uma banda de Rock Progressivo, com muita influência dos gênios do Rush e do YES, muito de Led Zeppelin e mais um bocado de Iron Maiden. Independente do gênero, conseguem fazer um som muito cativante, com letras focadas na ficção científica, centradas numa história mirabolante criada pelo... excêntrico vocalista, Claudio Sanchez.

Esse disco brilhante aborda uma temática faustêsca e mefistofélica da ascensão do personagem Sirius Amory. Aberto pela espetacular "Domino the Destitute", o disco segue num crescendo de qualidade e num misto de influências impressionante. Enquanto essa primeira faixa traz a tona uma série de levadas mais próximas a um post-hardcore, a próxima faixa, "The Afterman", é uma balada complexa e bem elaborada, mas mais comum ao Hard Rock. "Mothers of Men" é uma faixa mais direta e menos experimental, pesada e muito bem trabalhada, especialmente pelo baterista Josh Eppard.

Se a banda alega não ter sofrido tanta influência do Rush, muito provavelmente devemos aceitar. Mas esse exercício torna-se muito difícil quando ouvimos à excelente "Goodnight Fair Lady", uma das melhores faixas do disco, bastante semelhante aos trabalhos de Geddy Lee e companhia - sem falar que a primeira banda a contar com uma voz tão esquisita, foi mesmo o Rush. Essa música é de mais fácil assimilação e se tornou minha favorita em todo o álbum muito rapidamente, especialmente pelo seu refrão. Poucas bandas da música pesada atual fazem refrães tão bons -  talvez apenas o Rage.

De volta ao trabalho, após este momento mais groove, meio anos 70, o disco torna-se bastante pesado, com a continuação da suíte "Key Entity Extraction". Holly Wood the Cracked é uma música bastante densa e pesada, com um clima carregado de feeling e uns vocais um pouco mais insanos que no resto do disco. O atmosfera densa é mantido na incrível e empolgante "Vic the Butcher". "Evagria the Faithful", de certa forma, encerra o crescendo do disco,  com o seu refrão emocionante, já que a faixa final, "Subtraction" é uma variação no cadenciamento do álbum, encerrando a primeira parte da história e funcionando como ponte para o disco seguinte.

The Afterman: Ascension é um disco que beira o incrível e me fez abrir os olhos para uma das bandas mais atraentes do Rock Progressivo atual. Elegi esta álbum como um dos melhores de 2012, e mantenho meu veredicto até aqui, afirmando ser, também, um dos melhores discos de Progressivo dos anos 2000, confira por si próprio!

Nota 10
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